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Oclusão percutânea de formame oval patente com prótese Amplatzer PFO e recanalização de oclusão total recente com suporte vascular bioabsorvível ABSORB GT1.

Escrito por:

Dr. Eduardo Pessoa de Melo

Caso FOP BVS 1
Caso FOP BVS 2
Caso FOP BVS 4
Caso FOP BVS 5

Paciente masculino, 50 anos, com antecedentes de diabetes não-insulino dependente, tabagismo ativo, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), ataque isquêmico transitório (AIT) prévio com forame oval patente, procurou atendimento há 15 dias em outro serviço com quadro de dor torácica mas sem investigação cardiológica. Ultrassom com Doppler de carótidas sem aterosclerose significativa, ECG com ritmo sinusal e onda T negativa profunda em parede anterior, ecocardiograma transtorácico com hipocinesia em terço proximal do segmento ântero-apical do ventrículo esquerdo (VE) mas com fração de ejeção preservada. Progredida investigação diagnóstica com ecocardiograma transesofágico que demonstrou a presença de FOP com repercussão hemodinâmica. Evoluindo com dispnéia e dor torácica aos moderados esforços. Indicado fechamento do defeito septal com estudo da anatomia coronária com coronariografia pré-procedimento.

 

Cineangiocoronariografia: Coronária esquerda: tronco da coronária esquerda (TCE) de bom calibre, sem lesões obstrutivas. Artéria descendente anterior (DA) apresentando lesão obstrutiva importante e extensa no terço proximal e oclusão de curto trajeto no terço médio. Artéria circunflexa (Cx) com irregularidades parietais discretas, sem lesões obstrutivas. Coronária direita: artéria coronária direita (CD) dominante com irregularidades parietais discretas, sem lesões obstrutivas.

 

Fechamento percutâneo do Forame Oval Patente (FOP):

O septo interatrial apresentava FOP com fluxo esquerda-direita. Após ultrapassar o FOP com fio-guia 0,035’’ teflonado, posicionado cateter JR na veia pulmonar superior esquerda. Trocado fio-guia teflonado por fio-guia 0,035’’ de alto suporte. Realizado implante de prótese Amplatzer PFO número 25, através de sistema delivery 10F, com sucesso. Controle ecocardiográfico com microbolhas demonstrando prótese bem posicionada e ausência de shunt residual.

 

Avaliação com ultrassom intracoronário (USIC) + Intervenção coronária percutânea:

A artéria Descendente Anterior (DA) apresentava lesão obstrutiva importante e extensa no terço proximal e oclusão de curto trajeto no terço médio. Realizado cruzamento da oclusão com fio-guia 0,014" PT2 (Boston Scientific), pré-dilatação do terço distal com balão semi-complacente Emerge (Boston Scientific) 2,0 x 10 mm (12 atm) seguida por avaliação com USIC (cateter imaging Atlantis SR - Boston Scientific). Lesões avaliadas nos terços proximal e médio da DA demonstrando placa aterosclerótica fibrolipídica extensa, desde o terço proximal até o terço médio da DA, com comprimento total de 52 mm, e área luminal mínima: 3,1 mm² (normal > 4,0 mm²). Diâmetros de referência: DA proximal: 3,7 mm / DA distal: 2,4 mm / DA na lesão: 3,0 mm.

Em seguida complementado o preparo da lesão com balão semi-complacente Emerge (Boston Scientific) 2,5 x 20 mm (12 atm) e do terço proximal com balão NC Quantum (Boston Scientific) 3,0 x 20 mm (12 atm). Por fim realizado implante de um stent bioabsorvível ABSORB GT1 (Abbott Vascular) 2,5 x 28 mm (12 atm) no terço médio e um stent bioabsorvível ABSORB GT1 (Abbott Vascular) 3,5 x 28 mm (12 atm), em overlap, no terço proximal com sucesso. Procedimento otimizado com pós-dilatação com balão NC Quantum (Boston Scientific) 3,0 x 20 mm (16 atm) +  balão NC Trek (Abbott Vascular) 3,75 x 15 mm (14 atm).

 

Após implante do stent, controle por USIC demonstrou bordas livres de dissecção e hastes bem expandidas. Não é possível avaliar a aposição deste stent por USIC.

 

Comentários:

O caso demonstrado aborda um cenário de lesão coronariana extensa na artéria descendente anterior de um paciente jovem, com necessidade de recobrimento de um longo segmento com stent (full metal jacket). Após avaliação com método de imagem intravascular, definido o comprimento de “ombro a ombro” da lesão (de artéria sadia a artéria sadia) e as características da placa. Optado por pré-dilatação agressiva para preparo da lesão e recobrimento do segmento com suporte vascular bioabsorvível (BVS) ao invés de stent metálico habitual. Procedimento realizado com sucesso. Atualmente, paciente completou um ano de seguimento sem intercorrências.